Anhanguera - Personagens do Brasil pag. 007

Atualizado: 7 de out. de 2021

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Quando menino, o pequeno Bartolomeu Bueno da Silva viver em viagens com seu velho pai, um renomado bandeirante, sendo testemunha de pilhagens, matanças e escravização de povos indígenas. Seu apelido, Anhanguera, significa "velha assombração" ou "diabo velho", em tupi antigo; um título que herdou de seu pai, conhecido por seu jeito impiedoso e cruel, que fez muitos acreditarem ser um homem amaldiçoado.


Diz a lenda que, muito jovem, Bartolomeu teria encontrado, durante uma tempestade, uma lendária mina de metais preciosos, a Mina da Serra dos Martírios, mas que não conseguiu achá-la de novo quando a chuva parou, e que passou a vida obcecado em obter para si aquela fortuna. Quando adulto, com a descoberta de ouro em Minas Gerais, Bartolomeu auxiliou e foi derrotado ao lado dos paulistas na disputa de território que ficou conhecida como Guerra dos Emboabas. Após a derrota, sua sanidade ficou afetada, sendo frequentemente visto falando sozinho, prometendo vingança e dizendo que espiões portugueses o observavam, em busca da localização da Serra.


Após a guerra, iniciou uma tropa incursões bandeirantes pelo interior do país, com o objetivo de capturar indígenas e encontrar novas fontes de pedras preciosas, com a qual desbravou territórios de Goiás e do Araguaia e vitimou diversas nações indígenas. Seu acordo com o governo português era de que um quinto do que encontrasse pertenceria a coroa, imposto que sonegou diversas vezes, e que teria autorização para escravizar e a obrigação de batizar todos os indígenas encontrados em seu caminho, além do dever de demarcar terras e criar entrepostos e roçados por onde passasse.


Anhanguera jamais confiava em ninguém e normalmente não dizia sequer para onde a bandeira se movia. O número de deserções de seu grupo era alto e seu trato era rude e rígido, mas, mesmo assim, seu poder aumentava, chegando a se tornar Capitão-mor, desbravar dezenas de terras, escravizar centenas de indígenas, acumular uma imensa fortuna e fundar diversas cidades e vilas. Em uma delas, se aposentou e viveu, rico, paranoico e solitário, até o fim de seus dias, morrendo de uma estranha doença em sua pele.


Anhanguera

Humanoide médio

 

Classe de Armadura: 15 (couro batido)

Pontos de vida: 102 (12d8 + 48)

Deslocamento: 9 metros

 

FOR DES CON INT SAB CAR

18 (+4) 16 (+3) 18 (+4) 13 (+1) 14 (+2) 18 (+4)

 

Salvaguardas: Sab +5, Car +7

Perícias: Enganação +7, Intimidar +7, Natureza +4, Sobrevivência +8, Percepção +5

Resistência a danos: Perfurante de ataques não mágicos que não sejam feitos com armas de prata

Sentidos: Visão no Escuro 18 m, percepção passiva 15

Idiomas: Comum e idiomas indígenas (ou os equivalentes adequados ao cenário),

Desafio: 8 (3.900 XP)

 

Armas do Pacto da Ganância. No final de um descanso curto o Anhanguera marca duas armas como armas do Pacto da Ganância. Elas são mágicas e causam 10 (3d6) pontos de dano ígneo extra.


Benção do Tenebroso. Ao reduzir os pontos de vida de uma criatura hostil para 0, Anhanguera ganha pontos de vida temporários iguais a 20.


Conjuração Inata. O atributo de conjuração inata do Anhanguera é o Carisma. Ele pode lançar de maneira inata as seguintes magias CD 15, não requerendo materiais adicionais:


Á vontade: Alterar-se, Causar Medo*, Imagem Silenciosa, Levitar (Apenas em si), Vida falsa.

1/dia: Dedo da morte, Enfraquecer o Intelecto, Gaiola da alma*.


Conjuração. Anhanguera é um conjurador de 17º nível. A habilidade de conjuração é Carisma (CD de resistência de magia é 15, +7 para acertar com ataques mágicos). Ele possui as seguintes magias de bruxo preparadas:


Truques (À vontade): Amizade, Ilusão menor, Infestação*, Mãos mágicas, Prestidigitação, Raio mistico, Toque Necrótico.

De 1º ao 5º Nível (4 espaços do 5º Nível): Armadura de Agathys, Bola de Fogo, Círculo Mágico, Escudo de Fogo, Enervação*, Névoa fétida, Passo Trovejante*, Raio do Enfraquecimento, Repreensão Diabólica, Sugestão, Vidência.


Loucura do Diabo Velho. O Anhanguera tem vantagem em salvaguardas para não ser amedrontado ou enfeitiçado. Caso ele seja amedrontado, seu pânico é subvertido em um frenesi destrutivo, fazendo com que tenha vantagem em ataques corpo a corpo com armas, mas sofra 3 (1d6) pontos de dano psíquico.


Resistência Ínfera. Ao terminar um período de descanso curto ou longo, Anhanguera pode escolher um tipo de dano, ganhando resistência até escolher outro tipo, usando novamente esta característica. Dano causado por armas mágicas ou de prata ignoram esta resistência.


 

Ações


Facão. Arma de Combate Corpo a Corpo: +7 para acertar, alcance 1,5 m, um alvo. Dano: 7 (1d6 + 4) pontos de dano cortante mais 10 (3d6) pontos de dano ígneo.


Mosquete. Arma de Combate a Distância: +6 para acertar, distancia 45/180, um alvo. Dano: 9 (1d12 + 3) pontos de dano perfurante mais 10 (3d6) pontos de dano ígneo.

 

Fortaleza dos Bandeirantes


Muitos bandeirantes construíam suas casas pensando na defesa e na estrategia do lugar. Anhanguera, conhecido por sua paranoia, fez de seu covil um lugar muito perigoso para qualquer tipo de visitante.

 

Informações, curiosidades e ganchos p/ RPG:


  • Anhanguera herdou esse título de seu pai. Ele contava que o nome tinha vindo de um episódio onde ele teria sido rendido por um povo indígena e o mesmo se passou por um deus, ao incendiar uma cumbuca de pinga, fazendo parecer uma divindade sobrenatural. Essa história provavelmente foi inventada pelo Anhanguera-pai, que provavelmente recebeu tal apelido por sua crueldade no trato com os indígenas.

  • Diferentes hipóteses foram formuladas sobre o estado mental de Anhanguera, sendo a febre do ouro uma dos mais frequentes explicações, mas também foram cogitadas outras explicações, como esquizofrenia. Em seu tempo, muitos acreditavam que o homem possuía pacto com entidades diabólicas ou que sofria de alguma maldição imposta pelos indígenas.

  • Entre outras coisas, Bartolomeu odiava cariocas e portugueses (apesar de trabalhar para a coroa portuguesa e de seu pai ter sido português), que os derrotaram na guerra dos emboabas.

  • Diversas histórias falam sobre a paranoia notória de Anhanguera. Ele não confiava em ninguém e era absurdamente rude, mentia compulsivamente, escondia tudo o que tinha de valor e acreditava que haviam espiões a sua volta, prontos a trai-lo e roubá-lo.

  • A bandeira de Anhanguera era composta de uma maioria de homens brancos e alguns indígenas livres, além de escravos. Ela se iniciou com cerca de 200 homens.

  • Anhanguera realizou expedições que foram desde onde é o estado de São Paulo até territórios do Pará, com forte atividade nas regiões de Goiás e Tocantins. Acreditam diversos historiadores que ele estaria ligado ao genocídio que levou ao desaparecimento do povo Goiá.

  • A partir de 1725, Bartolomeu assumiu controle da região do Arraial de Santana, um dos primeiros redutos na região do atual Goiás. Ali, tornou-se uma autoridade, administrando impostos e acumulando riquezas.

  • Bartolomeu teve diversos inimigos e desafetos, desde membros da realeza portuguesa até entre outros bandeirantes.

  • Anhanguera começou como bandeirante aos 12 anos de idade.

  • Bartolomeu era fluente em português e diversas línguas e dialetos indígenas, mas sua língua nativa era a língua geral do sul, também conhecida como "língua caipira, uma língua mista de português, latim e tupi antigo, falada no Brasil durante o período colonial.

 

Informações Técnicas:


Nome: Bartolomeu Bueno da Silva (Filho)

Nascimento: 1672, Santana de Parnaíba, São Paulo.

Morte: 19 de setembro de 1740, Vila Boa de Goiás.

Pai: Bartolomeu Bueno da Silva (Pai)

Mãe: Desconhecida

Causa morte: Desconhecida



Imagem: Quadro "Anhanguera", de Theodoro Braga. 1927. Acervo do Museu Paulista da USP.


Fontes de pesquisa:


BERTRAN, Paulo. História da terra e do homem no Planalto Central. Eco-história do Distrito Federal: do indígena ao colonizador. Brasília, Verano Editora, 2000.


FREIDENSON, Marilia Levi. CORA CORALINA: AS BANDEIRAS EOS CRISTÃOS ­‐ NOVOS. Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Belo Horizonte, v. 10, n. 18, maio 2016. ISSN: 1982 ­‐ 3053.


JUNIOR, Deusdedith Alves Rocha, TRAÇOS DA ALIMENTAÇÃO NA BANDEIRA DO ANHANGUERA – 1734. Revista Latino-Americana de História, vol. 08, nº. 22 – ago./dez. de 2019


KATRIB, Cairo Mohamad Ibrahim. CATALÃO(GO): CIDADE EM TRANSFORMAÇÃO CATALÃO(GO): TRANSFORMATION CITY Emblemass, v. 9, n. 1, 147-160, jan-jun, 2012 Revista do Departamento de História e Ciências Sociais - UFG/CAC


MAGALHÃES, Luiz Ricardo. Sertão Planaltino [manuscrito]: cultura, religiosidade e política no cadinho da modernização (1950 – 1964) / Luiz Ricardo Magalhães. - 2010. Universidade Federal de Goiás, Faculdade de História, 2010.


QUINTELA, Antón Corbacho. OS ÍNDIOS “GOYÁ”, Os Fantasmas E Nós. Revista UFG / Junho 2006 / Ano VIII. n°1


Notícia – 1ª Prática que dá o P. M.e Diogo Soares o Alferes José Peixoto da Silva Braga, do que passou na Primeira Bandeira, que entrou ao descobrimento das Minas dos Guayases até sair na Cidade de Belém do Grão-Pará. In TAUNAY, Afonso de E. Relatos sertanistas. Belo horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, EdUSP, 1981.

Pesquisa pelo historiador Jonatha Ferreira

Redação pelo jornalista Gabriel Abilio

Ficha pelo Game Designer Daniel Medeiros

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