Mão de Luva - Personagens do Brasil pag. 006

Atualizado: 20 de nov. de 2021

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Há poucas certezas sobre a vida do mais notório ladrão do Ciclo do Ouro. Muitos acreditam que ele não passou de uma lenda. Há quem diga, em uma lenda da região mineira, que ele foi um príncipe ou descendente da realeza europeia, que perdeu tudo e acabou virando um ladrão no Brasil, mas a maior chance é que tenha sido Manuel Henriques, bastardo de um pequeno comerciante, nascido em Guarapiranga (MG). Manuel teria sido um faiscador (minerador de rio) que estava revoltado com os altíssimos impostos do ciclo aurífero (20% da produção) e passou a contrabandear sua produção. Quando adquiriu maior prática em seus crimes e maior conhecimento do itinerário dos carregamentos do rei, passou a roubá-los.


Diz a lenda que antes de começar sua carreira de crimes, Mão de Luva roubou hóstias de uma igreja e performou um ritual que fechou seu corpo e criou um amuleto que lhe deu diversos poderes, como falar com animais, ficar invisível e garantir viagens seguras com seu bando. Seu apelido veio, segundo sua lenda, de uma luva da mão esquerda que ele jamais tirava, que dizem ter sido uma promessa feita ao seu grande amor, guardando sua mão para dar em casamento somente a ela.


Com o tempo, o bandido passou a subornar oficiais importantes, possivelmente até o governador de Minas Gerais, para facilitar suas vitórias e garantir acesso aos carregamentos, criando uma rede de informantes e agentes infiltrados no governo mineiro. Tornando-se mais ousado, chegou a invadir uma cadeia para resgatar um companheiro e fez acordos de amizade com os povos indígenas do Sertão do Macacú (RJ), que lhe permitiram manter um esconderijo na região, que acabou se transformando em uma vila e depois fazendo dele um dos homens mais poderosos da região, que acabou se transformando em uma vila, depois em cidade (Cantagalo - RJ), convertendo-o de um simples bandoleiro em um rico coronel. Chegou a ter mais de 300 homens armados.


Poderoso demais para arriscar um confronto direto contra Mão de Luva, levaram anos para que a coroa conseguisse capturá-lo em uma armadilha. Foi preciso infiltrar agentes da coroa disfarçados como mascates para obter informações suficientes para uma operação. Fingindo estar indo para negociar um licenciamento oficial para o "coronel", o exército português conseguiu prender Manuel. Vários de seus companheiros foram capturados e degredados para África, mas a maioria conseguiu escapar. O bandido foi destituído de seus bens e passou o resto de sua vida em uma prisão (ou convento; versões variam) no Rio Grande do Sul, morrendo somente quatro décadas depois, mas seu tesouro, supostamente gigantesco, nunca foi localizado.


Mão de Luva

Humanoide médio

 

Classe de Armadura: 17

Pontos de vida: 117 (18d8 +36 )

Deslocamento: 9 metros

 

FOR DES CON INT SAB CAR

13 (+1) 21 (+5) 15 (+2) 19 (+4) 15 (+2) 18 (+4)

 

Salvaguardas: Des +8, Int +7, Sab +5

Perícias: Acrobacia +8, Enganação +10, Furtividade +11, Investigação +7, Percepção +5, Persuasão +10, Prestidigitação +8, Sobrevivência +5

Imunidade à condições: Amedrontado, enfeitiçado.

Sentidos: Percepção passiva 15

Idiomas: Comum e 2 idiomas adicionais (inclusive idiomas indígenas).

Desafio: 7 (2.900 XP)

 

Ação Ardilosa. Essa criatura pode usar uma ação bônus em combate para a realização as ações Correr, Desengajar ou Esconder-se.


Ataque Furtivo (1/Turno). O Mão de Luva adiciona 14 (4d6) pontos de dano extra quando atinge um alvo com um ataque com arma e tem vantagem na jogada de ataque, ou quando o alvo está a 1,5 metro de um aliado que não está incapacitado e o Mão de Luva não tem desvantagem na jogada de ataque.


Corpo Fechado. O Mão de Luva tem vantagem em salvaguardas contra magias e outros efeitos mágicos. Além disso, o Mão de Luva é imune a qualquer efeito que seria dissipado pela magia Remover Maldição.


Dirigir Emboscada. Todos os aliados que participarem de uma rodada surpresa recebem somam 1d4 as jogadas de ataque durante a rodada surpresa e 9 pontos de vida temporários até o fim do combate.

 

Ações


Ataques Múltiplos. O Mão de Luva faz dois ataques com armas.


Adagas. Arma de Combate Corpo a Corpo ou a distancia: +8 para acertar, alcance 1,5 m e distancia 6/18 m, um alvo. Dano: 7 (1d4 + 5) pontos de dano perfurante.


Bacamarte. Arma de Combate a distancia: +8 para acertar, distancia 30/120 m, um alvo. Dano: 7 (1d10 + 5) pontos de dano perfurante.

 

Reações


Esquiva Sobrenatural. O Mão de Luva pode reduzir pela metade o dano sofrido por um ataque que ele possa enxergar.

 

Patuá Consagrado do Mão de Luva

Item Maravilhoso, Lendário (requer sintonização)


Um pequeno embrulho de pano, amarrado como um colar, contendo fragmentos de uma hóstia e inscrições sagradas. O patuá tem 6 cargas, ele recupera 1d4+1 cargas gastas diariamente ao amanhecer. As magias conjuradas através do patuá tem CD de salvaguarda 17.


- Você pode conjurar as seguintes magias através do patuá, gastando a quantidade necessária de cargas: Amizade Animal (1 cargas), Indetectável (3 cargas), Invisibilidade (2 cargas), Passos sem Rastros (2 carga), Porta Dimensional (4 cargas).


- Quando fracassa numa salvaguarda de Destreza, você pode usar sua reação para gastar 1 das cargas dele para obter sucesso na salvaguarda, ao invés.


- Enquanto estiver usando este patuá, você recebe +2 de bônus na CA caso não esteja vestindo uma armadura ou usando um escudo.

 

Luva Esquerda da Perícia

Item Maravilhoso, raro (requer sintonização)


Essa luva única de couro fino, confere muitas habilidades à mão que normalmente seria inapta. Enquanto estiver usando essa luva, o usuário tem vantagem em todos os testes de Destreza e, ao se engajar em combate com duas armas, pode adicionar o seu modificador de atributo ao dano do ataque extra se efetuado com sua mão esquerda.

 

Informações, curiosidades e ganchos p/ RPG:


  • Existem diversas lendas e versões conflitantes sobre o Mão de Luva. Há aquelas que dizem que ele foi um príncipe europeu ou membro da realeza que foi banido ou fugiu para o Brasil e que tentava conseguir dinheiro suficiente para retornar e casar-se com a princesa que ele amava. Há aquelas que dizem que ele possuía pacto com entidades diabólicas. Há aquelas em que ele foi simplesmente um homem. Historiadores ainda discutem se ele realmente existiu

  • Apesar de criminoso, o Mão de Luva foi um católico religioso e bastante supersticioso.

  • A região do Sertão do Macacu era de disputas entre as capitanias do Rio de Janeiro e Minas Gerais; não estava muito claro a quem pertencia àquela região e de quem era a responsabilidade de proteção e vigilância, além de ser terra conhecida por seus indígenas bravios e violentos. Poucos tinham coragem de se embrenhar por aquelas matas. Esses e outros fatores fizeram a região ser conhecida por "experiências sobrenaturais" das mais diversas.

  • Era clara a conivência do Governador das Minas Gerais, Cunha Meneses, que facilitou as ações e contrabandos do bando de Mão de Luva, além de facilitar fuga do bando após alguns embates com forças mineiras.

  • O vice-rei de Portugal, Luís de Vasconcelos e Souza, chegou a sugerir que certas estradas fossem apagadas dos mapas e evitadas pelos carregamentos, para forçar o ladrão a deixar sua região e assim poder capturá-lo.

  • Mão de Luva teria sido o fundador da cidade de Cantagalo (RJ), onde era conhecido como "Coronel" e respeitado pelos habitantes de lá.

  • O bando de Mão de Luva era bastante próximo dos povos indígenas da região em que viveu, tendo ensinado alguns deles a ler e convertido alguns ao cristianismo. Após sua prisão, indígenas da região do Cantagalo chegaram até pedir por sua libertação e disseram que seu bando era de bons homens.

  • Em 2016, o Mão de Luva foi representado na novela "Liberdade, Liberdade", da Rede Globo.

 

Informações Técnicas:


Nome: Manuel Henriques (Mão de Luva)

Nascimento: Por volta de 1756 ou 1758, Guarapiranga - MG

Morte: 1824 ou 1825, Rio Grande do Sul

Pai: Manuel Henriques Malho

Mãe: Maria da Silva

Meio Irmãos: Antônio Henriques Malho e Ignácio da Silva

Causa morte: Desconhecida



Fontes de pesquisa:


CHRISTO, Mariana Mendes. MANOEL HENRIQUES E AS RELAÇÕES DE PODER NOS SERTÕES DE MACACU (1765 – 1787). Revista Discente Ofícios de Clio, Pelotas, vol. 2, n°03 | agosto – dezembro de 2017.


CARVALHO, Sebastião A.B. de. A ODISSEIA DE MÃO DE LUVA NA REGIÃO SERRANA FLUMINENSE. Centro de Estudos e Pesquisa Euclides da Cunha – CEPEC, Primeira edição: 2015, Nova Friburgo – RJ.


GARCIA, Romyr Conde. O MÃO DE LUVA E OS SERTÕES DE SERRA ACIMA: GARIMPOS CLANDESTINOS E CONFLITOS SOCIAIS NO BRASIL COLÔNIA. Revista UNIFESO, 2018, v.4, nº 4.


OLIVEIRA, Rodrigo Leonardo de Sousa. “MÃO DE LUVA” E “MONTALHA”: BANDOLEIROS E SALTEADORES NOS CAMINHOS DE MINAS GERAIS NO SÉCULO XVIII (MATAS GERAIS DA MANTIQUEIRA: 1755 – 1786). Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) - Mestrado em História, 24-Set-2008.


OLIVEIRA, Rodrigo Leonardo de Sousa. BANDOS ARMADOS E INSTIUIÇÕES POLÍTICAS NAS MINAS SETECENTISTAS. ANPUH – XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Fortaleza, 2009


PEIXOTO, Érika Mendonça. O SERTÃO VIROU CAFÉ. Revista UNIABEU Belford Roxo V.6 Número 13 maio- agosto 2013.


VIEITES, Ethel Guedes. VIEITES, Renato Guedes. FREITAS, Inês Aguiar de. SERTÕES DO LESTE: A construção de uma região geográfica. Geo UERJ. Rio de Janeiro - Ano 16, nº. 25, v. 1, 1º semestre de 2014, pp.257-275.

Pesquisa pelo historiador Jonatha Ferreira

Redação pelo jornalista Gabriel Abilio

Ficha pelo Game Designer Daniel Medeiros

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